THEME
Meu corpo é meu hospício, minha mente é minha prisão.
abismo particular






“Sou falho, frágil, rúptil. Não sou capaz de caminhar com os próprios pés uma longa caminhada. Não consigo lidar comigo mesmo, e meus anseios. Inábil dentre as minhas utopias. Carrego no peito a solidão e estampado no rosto um sorriso que não pertence a mim, querido. Mas já cansei de não ser eu mesma, isso só tem me feito perder, e perder. Cansei de viver a vida aparentando um outro alguém. Meu peito clama liberdade e meu âmago grita para ser exposto. Desejo de coração aberto poder me encontrar, pois tempos arrastaram-se no relógio, comigo perdida sem um porto, ou cais seguro para firmar os meus medos, e acalmar meu caos interno. Sou hipérbole, não eufemismo, não sou maré branda. É o maremoto que define minhas entranhas, e arraigado em minhas escolhas difusas e conturbadas, se encontra. Conto estrelas, e acredito no poder intrigante sobre a lua. Acredito nela e nos seus segredos. Sou Lua. Fases de mim, fases de si, carregam minha essência intransmutável. Tal dia completa, outros na metade, minguando a carcaça de meu corpo anacrônico. Há dias em que estou nova, irradiando energia e calor, entre mim, e os que me cercam. Por vezes, um eclipse obscuro confunde, furtando o brilho inconfundível em meu olhar. Mas por fim, me encontro cheia. Cheia de si, do mundo e de solidão. Me encontro cheia, até o topo. Até o topo de um amor exacerbado, incrompreendido e próprio. Próprio, pois em título de Lua, me asseguro ao egocentrismo, de que a noite me pertence, e tais sentimentos nela contidos, também.”
Éden Victor.   (via oxigenio-dapalavra)